quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Com açúcar, tempero, boas idéias e muuito... muuuuuuuuito afeto...

Qual foi a coisa mais bonita que já te disseram nessa vida? Não vale “eu te amo”.Quer dizer, até vale, desde que seja de uma forma criativa.
No final de semana passado, quando tudo ia tão mal, enxerguei de forma contrária tudo o que vinha me acontecendo até então.
Bom. Mais esclarecimentos para que vocês possam entender. Sobre o meu estágio: passei (e ainda passo) semanas infernais por conta do Natal. Aaah... O Natal! Essa época tão mágica, encantada e empolgante, capaz de fazer o clima equatorial e desértico de Macapá se tornar o mais agradável do mundo inteiro... Pois devo avisá-los: isso não acontece em uma agência de publicidade, queridos. O clima muda, mas a pressão é a mesma. Criar roteiros para propagandas relacionados à época de festividades tem virado um martírio pra mim. Martírio a ponto de querer dar um belo chute no saco do Papai Noel. E quebrar asinhas de anjo, esganar cantores de corais, etc... O simples tilintar de sinos já me faz ficar em estado de alerta.
Toda essa tensão, como eu já previa, resultou num dos meus maiores pesadelos. Conhecida de vocês, leitores, que acabam tendo que engolir qualquer coisa que eu escreva: a tal da falta de criatividade!
Pensem: como ser criativo ao tentar vender um mesmo aparelho celular em três operadoras diferentes? E quando essas mesmas três operadoras são cooperadas de três lojas diferentes? Imagino que tenham feito as contas. Dá um total de nove roteiros. Certo. Só que para cada roteiro, é necessário mais duas opções. Drama. Cérebro murcho. Estafa mental. Desculpas esfarrapadas, bem sei.
Juro por tudo que se ache de mais sagrado que cheguei a pensar em formas bem descaradas de expor um telefone em pleno Natal. Ok, acho que entreguei algumas dessas idéias no meio do trabalho, tamanho o desespero.
No fim de tudo, concluo que não tem sido muito tranqüilo e que é inevitável não falar ou sonhar ou escrever sobre trabalho. O ápice de todo esse rebuliço foi uma chamada da chefe: “Superficiais demais. Acredite sim no produto. Mas lembra que é Natal, vai com calma. Sem contar que achei tudo meio igual...”
Eu poderia revidar tentando explicar a essência superficial do texto publicitário. Mas eu não estava apta para falar disso, fiquei desarmada. A tal da banalização da data de aniversário de J.C. já foi e é tema de muitos outros blogs por aí. De certa forma, admiro quem tenha a pachorra de acompanhar e discutir a respeito. Fato: não fui muito criativa no trabalho que desenvolvi, isso me afetou profundamente e vim chorar as pitangas aqui.
A criatividade, amigos, está relacionada com a capacidade de resolver problemas. O criativo encontra soluções práticas e alternativas para os pepinos do mundo. Alguém dizer que você não foi criativo em alguma coisa é deprimente. É o mesmo que dizer “você não foi capaz de resolver ISSO?! Fiascoooo...”. E , para mim, é o fim.
Maaaaaaaaas, tive a minha volta. A frase que eu precisava. A boniteza que me fez esquecer o fiasco e me inspirou (acredito) a persistir no exercício da diferença e do destaque.
Adoro cozinhar. Acredito que é a forma mais primitiva de levar felicidade a alguém. Parece que ver pessoas satisfeitas com a comida deve ser a mesma sensação que se tem ao matar um monstro muito malvado. Matar a fome e ainda deixar alguém satisfeito por ter saboreado um prato bem feito e gostoso é lindo. É mágico. É meu hobby, aqui confessado. E nesse fim de semana, depois de uma fornada de cookies de granola, a nossa sala de casa ficou cheirando (que ironia...) a Natal. Vocês sabem: cheiro de canela, chocolate e qualquer outra especiaria têm cheiro de Natal.
Minha mãe, que não é acostumada a gabar as nossas qualidades (não condeno e até acho estimulante), pegou um dos cookies e foi para o seu quarto compor. Fiquei na sala, vendo TV e a tigela de biscoitos ficando vazia diante da gula dos meus irmãozinhos. Computador, quarto, cozinha, copo d’água. Sentei de novo no sofá, quando vi a figura pequenina e agitada de mamãe abrir a porta do quarto. Com a cabecinha de fora e um sorriso que só lembro ter visto num porta-retratos antigo da minha avó, ela disse:
- Filha, esse cookie é uma das coisas que eu mais gosto de comer na minha vida.
E fechou a porta antes que eu pudesse esboçar qualquer reação.
A minha reação é este texto e a constatação de que sempre se pode fazer alguém um pouco menos triste. Seja na cozinha, no Natal ou na publicidade.
Entreguei os roteiros refeitos. Faltam serem aceitos.
Ou não.
Qualquer coisa, uma fornada de cookie deve resolver.


P.S: Tive saudades disso aqui em momentos mil...

2 comentários:

HelianaBastos disse...

Ahhhhh achei o quarto omáximoooo!
hahahahah
brincadeiras a parte!
MANAAAAA quanta demora em atualizar este quarto,tava uma bagunça...as roupas sujas jogadas cheirando a mofooo!hihih
tava achando que tinha levado teu colchão pro trabalho e armado a barraca pra dormir lá....
fazes falta se é que tu não sabes disso!
Hum....aqueles maravilhosos e deliciosos Cookies...
bom trabalho...que o reconhecimento satisfaça teu ego e o teu bolso...heheheh

amo-tedemaiscomaçucarecommuiiiiitoafeto!

Luiz Felipe Leal disse...

o mundo bem que precisava de "feliz natal"'s sinceros.
se eu tivesse que comprar esse celular, tocaria fundo no que é família. acordo no meio da noite em Istambul e te ligo sol a pino no Rio de Janeiro ou Macapá: é natal em qualquer parte do mundo, não há como escapar.
enfim, sou louco. desconsidere.

engraçado cm vc me compreendeu da última vez.
um abraço, afeto.

abraços.