sábado, 8 de agosto de 2009

Tendências

Tá na moda ser depressivo. É fashion ser bipolar. Quem não tem terapeuta, é antiquado. E quem não toma um ansiolítico de vez em quando, não está antenado. Quando foi que a felicidade se tornou um artefato de brechó, minha gente? Aquela peça que no passado todo mundo tinha, mas que com o passar dos anos acaba ficando over demais e para num lugar onde é estocada e oferecida pra um ou outro admirador de antiguidades, a preço de banana.

A grande tendência é não ter esperança. A dor é mais vistosa. A dor desfila na passarela, com as costelinhas e os ossinhos da bacia saltando, dizendo que ser culto e sabido já basta. Amor, paz de espírito e alegria de viver (saúde mental, por assim dizer) a gente encontra em maços de cigarro ou em caixinhas de Lexotan.

O lado negro deste modismo é o exagero, como em todo modismo. Ser indivíduo já é uma carga muito grande.
Um indivíduo individualista e intrínseco é um perigo...
Não sei quanto a vocês, mas mergulhar em minha própria mente não lá das tarefas mais agradáveis pra mim. Tá. Também não é das mais assustadoras; afinal, não sou tão ruim e tenebrosa como pareço (ou talvez já esteja acostumada...). As mazelas da alma te levam a um estado contemplativo de si mesmo. É como usar um pijama na rua... Uma hora vão te chamar atenção a respeito. Ninguém quer uma pessoa de pijama ao seu lado no ônibus. Nem um “depressivo/bipolar/ansioso/... por hobby”, destilando por aí todas suas queixas de mundo imperfeito...
Isso inclui os top top do in: os que tem olheiras. São endeusados. Os Bündchen de todo esse surto de transtornos mentais. Olheira é sinal de problema. Quem tem olheira não dorme. E, sinceramente, pra mim, quem não dorme não é normal... Mas, fazendo par com o lápis preto esfumaçado e uma sombra com a cor da última estação, elas fazem a cabeça desses fashionistas.

Bom. Eu posso estar meio fora de moda. Ou simplesmente adotar alguns destes itens da moda atual sem me declarar escrava (igualzinha a minha redenção ao jeans saruel e o boyfriend). Na verdade, eu gosto mesmo é de uma boa havaiana azul e branca, toda carcomida, que fica na porta da minha casa e serve pra tudo.

A felicidade pode ser meio démodé pra alguns (ainda usam essa expressão????). Mas eu acredito que ela seja mesmo vintage... E, que eu saiba, o vintage ainda continua em alta.
Então, que venha a primavera, suas flores, o cor-de-rosa, batom vermelho, a alegria plástica dos anos 50 e , claro, a felicidade.

9 comentários:

Lulih Rojanski disse...

Nai, estou procurando um adjetivo fashion pra o teu texto. Por enquanto,aceita esse, meio demodé: um barato!
Um beijo.

M is burning disse...

Amooooooooooooooooooooooooor!
Esse teu texto é um verdadeiro Preta-a-porté hahaha
Agira vamos parar com esse baitolice, esse texto tá perfeito. Sério! Sou mto faxionixxxxxxta, chaaapa!
Mas gostei muito, e já imprimi teu texto. Quero sempre ele comigo.

Tu escreve bem... cuidado com a minha inveja pq ela causa derrame hauahaua joke!

HelianaBastos disse...

Aproveitndo o teu coment pra eu postar o meu, hehehehe
ameeei teu texto escreve PACAS (como dizia meu pai)
o modismo de personalidade é TRASH!
ti contar né..mas como dizia a Pity ''o importane é ser vc!'' ¬¬
falou e disse a poetisa né, kkkkkkk

p.s:nhai *-*
Num quis dizer pessoal..refltindo sobre teu comentário descobri qual era a palavra : autobiográfico...

é que no ultimo post alguem se preocupou com o meu ''ai ai doloroso..''não conseguiu captar a carga sentimentalista, mas enfm!
tanto é que eu deixo sair, é que eu posto no blog amore! kkkkk
esse post se refere ao meu domingo a noite! preciso te contar! beijosmeliga! ;*
AMO TE NAI!

Erica Saraiva disse...

Muito bom, pena a carapuça me servir bem demais pra não deixar um certo nó na garganta...

obrigado por dizer essas coisas

beijocas

Amanda disse...

Está na moda ser bi

bipolar
bígamo
bissexual
bilíngue
por aí...

Miss Lou Monde disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Miss Lou Monde disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Miss Lou Monde disse...

"Bom. Eu posso estar meio fora de moda".
Talvez, você possa estar só: saudável.
Raro seria uma pessoa de duas pernas ter empatia suficiente para compreender a dor daqueles deficientes, daqueles amputados. Fazer uma ideia de como é a dor de não conseguir se locomover é uma sutil impressão, quando se tem as pernas saudáveis.

Assim acho. O saudável sempre pensa que os doentes são exagerados. Os que não sofrem preconceito, acham os negros, as mulheres, os gordos... com complexo de "eternos estigmatizados".

Você já sentiu a dor de um parto? Eu não. Apenas imagino. E sei que por mais que eu possa me transpor na figura de uma mãe, minha ideia sobre a dor de um parto vai ser extremamente falsa e superficial perto da dor real que uma mãe real sente.

Será que é chique e na moda depender de uma porcaria de pílula para sentir felicidade?

Acho que não. Quem gosta de ser infeliz, acaba sendo feliz na infelicidade. O masoquista, com a dor, sente prazer. Eles não são "doentes". São normais por conseguirem sentir prazer. Esses que se sentem orgulhosos em serem depressivos/bipolares/boderlines não são pacientes clínicos de verdade.

Muitos recusam tomar a medicação, por não aceitarem a doença. Sentem-se envergonhados, inadequados. Perde-se tudo quando se é doente: alegria,disposição, senso de humor, energia e até a tristeza. A doença converte tudo em um vale sem fundo. Não se fica apenas triste. Estar triste é bem mais aprazível do que experimentar um minuto de dura e real depressão.

Até a noção da existência de um batom é perdida, quando se é doente. Já que sua boca, some numa mancha esquisita que passa a ser seu rosto.

O assunto que você abordou é delicado demais, sugiro mais ponderação.

Miss Lou Monde disse...

Ao sugerir ponderação, não quis, de modo algum, inferir que você não tem propriedade para falar de qualquer assunto. Eu, apenas, quis pedir um pouco mais de delicadeza ao abranger esse assunto que é tão complexo.

"Tá na moda ser depressivo", "É fashion ser bipolar"... são afirmações um pouquinho fortes. Já que a sociedade não vangloria o suicídio do depressivo, não suporta seus sintomas como: desânimo, falta de forças para trabalhar/estudar, mal humor e lágrimas. É tão verdade, que os últimos que enxergam a depressão de uma pessoa, são seus familiares. A família do depressivo acha que ele apenas está preguiçoso, cansado ou querendo atenção. Caso estivesse na moda, a família seria a primeira a ver e a espalhar pelo mundo que seu ente está com depressão!

A sociedade também não vangloria os surtos eufóricos do bipolar, que do nada, passa a comprar exarcebadamente, contrai dívidas absurdas, têm comportamentos perigosos relativos a sexo, drogas, furtos...

O que eu estou querendo dizer, é que as pessoas não exaltam nenhuma real doença mental. Muito pelo contrário. E isso são afirmações não minhas, mas sim de psicólogos e psiquiatras. Ou será que uma família que tem um depressivo fica contando, com orgulho, em festas: "Nosso filho é depressivo!" Uma menina, ao citar as qualidades de um namorado começa com: "Ele é bipolar, é a coisa mais fofa!" Será que é assim? Será que muitos acham atraente as cicatrizes de uma auto-mutilação?

A ponderação que sugeri, foi só a respeito de que seria interessante pro texto, se houvesse uns argumentos contrários à sua tese de que ser feliz passou a ser uma raridade e uma coisa não-fashion. Porque no fundo, embora possa parecer que as olheiras inspirem respeito, profundidade intelectual e essas imbecilidades... elas são repudiadas ao extremo. Ou a indústria de cosméticos e cirurgia plástica estão em baixa?

Enfim, eu só queria mostrar esses argumentos que me vieram ao ler seu post. Acrescento, que a sociedade não "fashioniza" o doente emocional, ela pode envolvê-lo em um falso lirismo e charme. É como se o depressivo fosse melhor do que os outros por se destacar. Todos estão se divertindo? Ele não! Todos se alegram com presentes? Ele acha tudo sem sentido, sem propósito. Isso, faz com que os outros o vejam como um desses possuidores do humor "blasé", que para muitos, parece ser algo elevado, evoluído... No entanto, é deprimente, pelos motivos que já citei, ele se sente insatisfeito o tempo todo não para "aparecer", mas sim porque o cérebro, quimicamente, não responde da forma correta...

E sobre você estar saudável, ehm... Eu me referi a sua capacidade de sentir prazer. O doente não sente mais, e a sua cosmovisão revela sim sua saúde, sua capacidade de ver nas pequenas coisas: alegria, beleza. E isso é tão bom, como não gostar de ser saudável? Foi nesse sentido que eu disse.

Em momento algum quis depreciá-la, ou menosprezar seu texto. Só quis demonstrar minha opinião contrária.
Não pretendi diminuir sua avaliação crítica sobre a aparente exaltação da depressão e doenças mentais afins. Foi apenas para alertar que esses que acham bonito tomar remédios e estarem indo frequentemente a um psiquiatra e psicólogo, não são pessoas com condições clínicas graves (a não ser que elas tenham a Síndrome de Münchausen).

Peço perdão, caso meu comentário anterior tenha parecido grosseiro,

^^