sábado, 27 de junho de 2009

da série "detalhes" - vida de experiência


- Conhecer a fundo a maior quantidade possível de olhares.
- Viajar sem destino.
- Raciocínio mais rápido até que o bom-senso
- Aprender línguas e linguagens
- Comer muitos ovos fritos
- Começar muitas coisas sem terminar: ginástica, curso de desenho ou aprender a tocar um instrumento
- Passar pelo rock, punk, alternativo, jazz, MPB, reggae, e se emocionar com Simon and Garfunkel
- Praticar o mal sem saber o que é
- Estudar cinema, alemão ou LIBRAS
- Andar ligeiro e sorridente
- Poupar as suas melhores lágrimas
- Procurar o amor na felicidade e a felicidade no amor
- Fechar os olhos em momentos de lucidez
- Rasgar cartas de quem te magoa
- Ler manuais de instruções
- Cantarolar no chuveiro
- Querer refazer o que foi feito errado (sempre)
- Hedonismo
- Dar continuidade ao que não tem
- Terminar um conceito com ponto final
A vida dura as experiências.

da série "detalhes" - experiência de vida

- Chegar aos oitenta ainda lúcido
- Conhecer muitos lugares mas morar em apenas um
- Ter um sotaque
- Saber fazer algo para comer que seja único e especial.
- Colecionar alguma coisa.
- Ter uma boa discoteca
- Perceber que não existem males necessários, mas, sim, aquilo que é mal se for necessário.
- Ter um filme que por mais que você assista, sempre chore.
- Nunca prender: xixi (dá celulite), lágrima (dá câncer) e um amor (dá solidão).
- Olhar nos olhos de quem se fala
- Rugas de (boa) expressão
- Uma camisa de banda que ainda sirva de pijama
- Caixa de sapato com cartas
- Caixa de ferramentas com algumas chaves que não foram usadas
- Saber de cor uma canção qualquer do Roberto.
- Ainda assustar-se com a maldade
- Buscar ebriedade em prazeres mais duradouros, libertadores e verdadeiros.
- Deixar de julgar fatos e de fatorizar julgamentos.

A experiência dura a vida.

domingo, 17 de maio de 2009

A cromoterapia do dia

Um dos maiores motivos que me fazem preferir o dia à noite são as cores. A noite é de uma cor só. O dia é colorido, e eu gosto de perceber tudo às claras, sem máscaras.
Acho demais o dia amanhecer cinzento. Sei bem que é quase unânime a preferência pela chuva na janela em dia de domingo, mas o cinza vai mais além. Muitos podem pensar que um dia cinza é sem vida. Imagina! O cinza é a cor da sobriedade. Não é à toa que precisamos de mais atenção ao dirigir na chuva, já que, de dia, não temos o luxo da luz artificial que tem a noite.
Vejo sofisticação e seriedade na fumaça que sai dos cigarros dos fumantes. Pouca saúde também. Mas não tão triste quanto a apatia dos jalecos dos enfermeiros, que é diferente do branco limpo e salgado dos aventais dos chefs de cozinha. E da higiene quase séria das camisas dos barbeiros.
Amarelo é a cor do dia; e apesar de eu achar uma cor horrenda em roupas, ele me pega pela poesia que tem. A cor da alegria, do entusiasmo, da frente da casa da minha mãe, das coisas valiosas, do meu enxoval quando neném, do sinal ignorado, da bundinha da abelha... E é a cor do sol, a razão do dia. Mas vocês nunca me verão usando uma calça amarela por livre e espontânea vontade...
Laranja, assim como aqueles cones de sinalização, é irritante. Ácido que chama atenção. Era a cor do uniforme da minha antiga escola. E da criatividade, da vitamina que eu tomo de manhã e do local onde trabalho. Desperta assim como o vermelho. Aliás, o vermelho é forte. Alarma como nos sinais de trânsito, os luminosos que indicam perigo ou saídas de emergência. Revela a masculinidade na fachada do Corpo de Bombeiros daqui da minha cidade. É revolucionário nas camisas dos esquerdistas e apaixonado na minha camiseta dos Beatles; convidativo em lábios e unhas; majestoso no tapete de entrada do cinema; corajoso nos joelhos ralados dos moleques danados.
O azul é para onde se olha para acalmar o passo. Depois de tantas cores, olho para cima e fica tudo bem. Ele refresca e faz pensar. É água. É renovação. A cor das caixas d’aguas, dos fundos de piscinas, daquilo que evapora e limpa e das comidas que não existem (ou não são apetitosas!). Cor do meu banheiro; das canetas BIC, tão companheiras; dos lençóis mais macios; das logomarcas empresariais. Azul também é profundo. É fechado em si; pois, assim como no azul das veias, pouco revela o que guarda.
Passeando pelos cantos, vejo todas essas cores em varais de roupas, vitrines, bandeiras, pipas e a cidade...
E chego em casa. Entro no lugar onde escrevo; tem cor de esperança; é onde me curo de todas as mazelas (físicas ou não); onde olho para a janela e vejo mais dessa tonalidade... É a cor que me inspira, que guarda o cheiro das árvores, o ativismo, o altruísmo e, paradoxalmente, o individual. O meu quarto tem a minha cor. O quarto verde.
Meus dias são coloridos. Por isso vivo de dia e finjo à noite...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

O sentido do que é sentido

Chorar é ruim? Há quem responda que depende do motivo.
Eu respondo que ruim é segurar o choro.
E dar gargalhadas? Maravilhoso.
Num velório? Não muito.
Sentir raiva, pena, preguiça, alegria, tristeza ou saudade é normal.
Mas devíamos nos perguntar: os sentimentos bons são tão superiores a ponto de reprimirmos os que são “maus”?
Já passei três dias chorando. E três horas rindo. Ambos me deixaram com os músculos abdominais cansados e doloridos. Qual foi o melhor? Nem sei. E o pior? Menos ainda.
São sentimentos. Quando chorei, pensei que morreria de tristeza. Quando ri, pensei que era o momento mais feliz da minha vida. E estava errada em todos, pois cada um deles me serviu em uma ocasião. Mal eu sabia que viriam outras pela frente (bonitas e feias, inclusive)
E a preguiça? Fazer coisas com preguiça, segundo a minha avó, é fazer duas vezes. Preguiça é pra ser curtida.
Pena se tem até achar outro sentimento substituto.
Alegria dura pouco, mas é intensa. Tristeza dura muito porque é imensa.
Enxergo os sentimentos com cores e tamanhos. E a gente tem que experimentar pra ver qual é que serve... Percebam: um alguém sempre é ou mais triste, ou mais feliz, mais ansioso, mais sereno...
Devemos sentir todos no ápice de nossos sentidos.
O único mesmo que a gente tem que matar é a saudade...

Bom ver vocês!

Lista?

Não esqueci da carmim:
Seguem as regras
. escrever uma lista com 8 coisas que sonhamos fazer antes de ir embora daqui (?)
. convidar 8 amigos de blogs para responder também;
. comentar no blog de quem nos convidou;
. comentar no blog dos convidados, para que saibam do meme;
. mencionar as regras

Adoro listas, benhê, mas esta foi terrível de fazer. È muito pra fazer em tão pouco tempo. Ir embora pode ser uma viagem... Planeje fazer uma viagem: você sempre esquece alguma coisa na ida ou na volta...

1- Aprender mais sobre Yoga. Foi um tipo de filosofia que fez muito bem pra mim em uma época difícil, mas parei por falta de tempo (ou de outra desculpa pra parar de estudar a respeito). Quero um dia ficar velhinah e dar aulas sobre isso. Já reúno pessoas e fazemos prática. Mas ainda é bem comecinho e bem básico.
2- Atravessar a Abbey Road. Quem não souber o motivo, não me conhece MESMO.
3- Assistir uma saga completa. Sempre assisto sagas incompletas, ou paro no primeiro filme. Mas“Star wars”, por exemplo, nunca será assistindo completamente por mim...
4- Acreditar mais nas pessoas. Vai ser um processo lento e doloroso. Mas tenho esperança em conseguir, o que é um bom começo.
5- Fazer uma tatuagem bem grande em homenagem à minha mãe. Preciso dizer o motivo? Ok. Só mãe pode deixar de usar todas as roupas que gosta, ficar gordinha, cheia de água, hemorróidas e estrias durante nove longos e tenebrosos meses e ainda ficar feliz por causa disso.
6- Acertar a primeira fornada de cookie.
7- Manter uma caixa de grampos por um mês, sem perder nenhum.
8- Não deixar meus objetivos de vida se reduzirem a 8 tópicos...


Desafio (de verdade, porque é mesmo um desafio) as seguintes pessoas a fazerem um meme:



Parcimônia, eu tento!
Filia por Sofia
Ave, Palavra!
Do caderno de sonhos
Imaginarius Concrético
Fez-se
Crazy Feelings
Mulher Pequena

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Nora e Samuel (ou “Everylasting Love”)

“Open up your eyes, then you'll realize.
Here i stand with my everlasting love
Need you by my side.
Girl to be my pride.
Never be denied everlasting love.”

NOTA DE ESCLARECIMENTO: Tenho o péssimo hábito de não olhar o que o blogger fez nos textos depois de postá-los aqui. Uma espécie de negligência que antes até achava charmosa, mas agora comprometeu um dos textos. Este, que é tão importante, acabou sendo vítima da minha distração e da minha total inabilidade com atalhos do Office. Postei apenas o final do texto... Mil perdões, pessoal. Segue o texto na íntegra.
Antes do vinho barato ou da ceveja quente. Antes das malas arrumadas. Antes de ver o pôr-do-sol. Antes de criar um gato. Antes do buraco na alma.
Antes que a floricultura feche, da última sessão do cinema, que a bateria acabe.
Antes que seja tarde, que todos os que existem por aí no mundo se deem conta de seus amores perpétuos.
Abram seus olhos...
E poupem os ouvidos de seus amigos...

Samuel (ou “Everybreath you take”)

“Every move you make
Every vow you break
Every smile you fake
Every claim you stake
I'll be watching you”

Eu o achava um otário. Ligava demais, era grudento, queria sempre dormir na minha casa. No início, fiquei maluca com aquela invasão nos meus guardados. A cerveja na cama. A cueca na pia. Depois, ele se tornou meu próprio ar.
Era muito ingênuo. Era dócil. As covinhas que se abriam nas bochechas quando sorria, apesar de fundas, eram suaves. Na verdade, Samuel era um amor. Aqueles amigos babacas... Vocês me desculpem, mas os verbos “chupar” e “arrombar” não tornam uma piada engraçada. Tornam-na obscena e vulgar. Não achava a menor graça naquela turminha. E ele conseguia ser irritantemente adorável. Me apresentava às amigas e não dizia um “ai” pela cara fechada que eu fazia para todas.Todos eram bonzinhos naquele mundo mágico, todos eram de bem, bacanas e alto-astrais. Um bando de “Ternurinha”. Uns bajuladores. Nunca o magoaria falando tanta verdade inconveniente. Detestava ver ele procurando pureza nos meus olhos. Constrangia. Quando perguntei por que tanta amabilidade, ele me respondeu que gostava de pensar que a amargura vinha em forma de potinhos de exames. São simpáticos vazios. Mas quando contém “a causa da sua doença”, você quer mais é se livrar daquela porcaria. Mas que são até colecionáveis, são. Assim ele queria a amargura. Longe dele depois de curado. Que tédio.
Ah... Mas ele não sabe o quanto eu quis passar o resto da vida ao lado dele. Por exemplo, naquele dia, na casa da Larissa. Depois dela falar aquele monte sobre o canalha do João (traidor, mentiroso, safado e sonso). Samuel não entendeu muito bem quando eu disse que ela estava carente e se entregou demais. E ficou mais puto ainda quando eu pedi pra ele se tocar. Devia ter esclarecido que era pra ele se tocar sobre o João...
E depois que ela falou tanto, eu fiquei comovida. Tem gente que não guarda mágoa... Tem gente que ama. Ainda bem, porque eu já estava quase disposta a mudar pelo mundo. Isso tudo eu disse depois de assistir “A liberdade é azul”... Cheguei a enxergar um esboço de sorriso nele. Mas depois ele disse que eu era impossível de entender e foi embora.
Mal ele sabe, mas depois que a gente terminou, não paro de escutar “Close to you”. Milhares de vezes ao dia. Às vezes ligo de outro número só pra ouvir o “Alô?!” alegre dele. Também mudei o caminho só pra vê-lo saindo do trabalho (e Deus inventou o terno...). Só ver. Observar aquele gesticular tão vivo... Aposto que vai ver outra pessoa. E não me importaria quem fosse, desde que ele voltasse para os meus braços mais tarde. Ensaiei uns choros ontem à noite.
E toda vez que ele caminha pro lado contrário em que estou, eu morro aos poucos.
Mas a cada passo que ele der.
A cada suspiro dele.
Eu estarei observando.