"Eu quero é viver em paz
Por favor me beija a boca
Que louca, que louca"Para com isso. Isso dói. Você já está certa, e aí? Custava me explicar o que tinha acontecido? Tinha que ser por aqueles cd’s chatos, cuja (veja bem, estou usando a palavra “cuja”)música nem dá pra assoviar direito? Tinha que ser por aquele monte de palavra sem nexo, escrito em formato de “L”????????? Tinha que ser por aquele filme horroroso, com atores horrorosos, em uma língua horrorosa?? Sinais? Ora, Dores, por favor! Infelizmente você é assim... Eu te convido pra cantar, você quer contar histórias (o que New Orleans tem a ver com a nossa história?)...
E você sempre faz isso. Menospreza, o que é pior que simplificar. Acha-se merecedora do infinito. Mas de um infinito que só existe pra você. Que simplória você é. Posso não querer me aprofundar em tudo, posso ter te dado as costas e ido embora. Mas cá estou, pra viver de minha memória. Das Dores, me deixa em paz. E me beija a boca. Louca.
terça-feira, 19 de julho de 2011
Souza ou “Cry me a river”
"Now you say you're lonely
You cry the long night through
Well, you can cry me a river
Cry me a river
I cried a river over you"
Chora. Você sabe que estou certa. EU falei naquela poesia... no cd do Miles e do Coltraine... no filme do Almodóvar. Você ia saber o que era sangrar. Assim como eu sangrei.Como? Lógico que você não sabe, NE? Eu te dava tantos sinais, Souza... Mas, infelizmente,você é assim. Explico a história do jazz e você me convida pra ir ver o Jorge Vercilo (“ele me faz cantar”)...
Você fez isso com nosso amor. Achou simples lidar com um sentimento dessa infinitude. Não basta delimitar, Souza. Que simplório você é. Chora aí, na minha porta, porque está sozinho. Pois saiba você, por mais clichê que isto seja, que uma lágrima não basta. Eu quero um rio inteiro de lágrimas. Eu chorei um rio por você.
You cry the long night through
Well, you can cry me a river
Cry me a river
I cried a river over you"
Chora. Você sabe que estou certa. EU falei naquela poesia... no cd do Miles e do Coltraine... no filme do Almodóvar. Você ia saber o que era sangrar. Assim como eu sangrei.Como? Lógico que você não sabe, NE? Eu te dava tantos sinais, Souza... Mas, infelizmente,você é assim. Explico a história do jazz e você me convida pra ir ver o Jorge Vercilo (“ele me faz cantar”)...
Você fez isso com nosso amor. Achou simples lidar com um sentimento dessa infinitude. Não basta delimitar, Souza. Que simplório você é. Chora aí, na minha porta, porque está sozinho. Pois saiba você, por mais clichê que isto seja, que uma lágrima não basta. Eu quero um rio inteiro de lágrimas. Eu chorei um rio por você.
tipo de bagunça:
a vida alheia,
noite maldormida,
trilha
sexta-feira, 4 de março de 2011
Minha mãe, o carnaval e eu
As coisas mudam totalmente quando ela vem pra casa. Vovó faz lasanha verde (???), vovô pára de fumar cachimbo (“Isso vai matar o senhor”) e a empregada sorri quando brigam comigo.
Deve fazer uns três anos que a gente não tem o “Baile da família” na sede do clube de tênis da cidade. Ela organiza sempre que vem todos os anos. Mas ela foi embora pra mais longe de casa. Fiquei com o quarto maior, mais espaço para meus carrinhos e a sensação de que estou menor ou coisa parecida.
Mas esse ano, não escapamos. Ela está no telefone, dizendo que comprou uma fantasia de palhaço pra mim porque passará finalmente o carnaval aqui. Desligo o telefone, falo um palavrão que aprendi na escola, sou repreendido e me sento na mesa da cozinha. A notícia é dada para vovô e vovó, que começam a cantar uma marchinha. Eu não estou nada satisfeito. Primeiro porque minha orelha dói por causa do puxão. E penso na hora. O baile é um tormento pra mim. Sempre estou ironicamente patético na hora do discurso dela. Não me controlo. Meus primos passam o ano inteiro sacaneando comigo... E este ano será de palhaço... Estou rezando pra Nossa Senhora Protetora dos Meninos que se Fantasiam de Palhaço no Carnaval. Pra isso deve haver uma santa protetora. Tem que haver.
Ela é uma cretina, na verdade. Ela me deixa tão feliz quando a vejo que acabo me esquecendo o quanto não faz sentido uma criança de oito anos vestida de pirata ou marinheiro. Não importa, no fim. Ela me abraça e eu sinto os cabelos com cheiro de jardim cobrirem meu rosto. Aí ela me carrega e tanto faz se eu estou com uma peruca de palhaço.
E começa o baile. Não, não quero dançar, que chato. Vó, fala pro Juninho parar de puxar meu nariz? Não, não sei dançar. Minha peruca coça, vó. Não, tá muito calor, não quero dançar, já disse. Vô, é a terceira vez que o Juninho joga serpentina dentro da minha calça! Não, não quero um sarongue (?). Peraí! Confete na boca nã...
Tio Bené já tomou conta do salão. Juninho engoliu o apito, para a alegria secreta dos presentes.
Meu estômago tá fazendo aquele barulho esquisito. Chegou a hora... Ela, de melindrosa, vai falar aquilo que eu sempre temo. O discurso de despedida. Vamos todos chorar, satisfeita?
Com os punhos e os olhos fechados, eu sou palhaço mais nervoso do mundo. Ela está falando. Acho que é algo sobre união, família ou amor. Não estou nem aí. Só não quero que acabe. Meus olhos estão fotografando e meus ouvidos estão gravando tudo. Não posso esquecer nunca. Ai não. É o fim. Não estou escutando mais nada.
Aconteceu de novo: eu no colo dela, implorando pra me levar junto e não me deixar. As lágrimas cheias de glitter mancham meu rosto de palhaço. E ela diz pra vovó ficar comigo, pois seu vôo é daqui a pouco.
Ela foi a primeira mulher a me abandonar. Confesso que não foi a primeira nem a última vez que banquei o palhaço na vida... Bom carnaval.
Deve fazer uns três anos que a gente não tem o “Baile da família” na sede do clube de tênis da cidade. Ela organiza sempre que vem todos os anos. Mas ela foi embora pra mais longe de casa. Fiquei com o quarto maior, mais espaço para meus carrinhos e a sensação de que estou menor ou coisa parecida.
Mas esse ano, não escapamos. Ela está no telefone, dizendo que comprou uma fantasia de palhaço pra mim porque passará finalmente o carnaval aqui. Desligo o telefone, falo um palavrão que aprendi na escola, sou repreendido e me sento na mesa da cozinha. A notícia é dada para vovô e vovó, que começam a cantar uma marchinha. Eu não estou nada satisfeito. Primeiro porque minha orelha dói por causa do puxão. E penso na hora. O baile é um tormento pra mim. Sempre estou ironicamente patético na hora do discurso dela. Não me controlo. Meus primos passam o ano inteiro sacaneando comigo... E este ano será de palhaço... Estou rezando pra Nossa Senhora Protetora dos Meninos que se Fantasiam de Palhaço no Carnaval. Pra isso deve haver uma santa protetora. Tem que haver.
Ela é uma cretina, na verdade. Ela me deixa tão feliz quando a vejo que acabo me esquecendo o quanto não faz sentido uma criança de oito anos vestida de pirata ou marinheiro. Não importa, no fim. Ela me abraça e eu sinto os cabelos com cheiro de jardim cobrirem meu rosto. Aí ela me carrega e tanto faz se eu estou com uma peruca de palhaço.
E começa o baile. Não, não quero dançar, que chato. Vó, fala pro Juninho parar de puxar meu nariz? Não, não sei dançar. Minha peruca coça, vó. Não, tá muito calor, não quero dançar, já disse. Vô, é a terceira vez que o Juninho joga serpentina dentro da minha calça! Não, não quero um sarongue (?). Peraí! Confete na boca nã...
Tio Bené já tomou conta do salão. Juninho engoliu o apito, para a alegria secreta dos presentes.
Meu estômago tá fazendo aquele barulho esquisito. Chegou a hora... Ela, de melindrosa, vai falar aquilo que eu sempre temo. O discurso de despedida. Vamos todos chorar, satisfeita?
Com os punhos e os olhos fechados, eu sou palhaço mais nervoso do mundo. Ela está falando. Acho que é algo sobre união, família ou amor. Não estou nem aí. Só não quero que acabe. Meus olhos estão fotografando e meus ouvidos estão gravando tudo. Não posso esquecer nunca. Ai não. É o fim. Não estou escutando mais nada.
Aconteceu de novo: eu no colo dela, implorando pra me levar junto e não me deixar. As lágrimas cheias de glitter mancham meu rosto de palhaço. E ela diz pra vovó ficar comigo, pois seu vôo é daqui a pouco.
Ela foi a primeira mulher a me abandonar. Confesso que não foi a primeira nem a última vez que banquei o palhaço na vida... Bom carnaval.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Da série “detalhes” - O ESGOTAMENTO DA SENSAÇÃO

Fonte: Getty Images
- Encher a barriga de água e ir comer.
- Desistir de escrever, seja lá o que for.
- A desistência em si.
- Dedos enrugados de água.
- Nariz vermelho, de espirro ou de choro.
- Barriga doendo de gargalhar.
- Baba de cachorro.
- Desligar a TV.
- Beijo seguido de beijo.
- Olhar para o teto.
- Briga de segunda.
- Flerte de sexta.
- Infidelidade de sábado.
- Solidão de domingo.
Toda sensação tem sua hora de esgotamento.
tipo de bagunça:
caixa de segredos,
série "detalhes"
Da série “detalhes” - A SENSAÇÃO DO ESGOTAMENTO

Fonte: Getty Images
-Matar a sede de água.
- Dormir em cima de livros ou escritos.
- Barulho de chuveiro.
- Lágrimas de crise de espirro.
- Lágrimas de crise de riso.
- Lágrimas, enfim.
- O olhar inchado do choro.
- Beijo seguido de suspiro.
- Desfalecimento em abraço.
- O sofá e as boas-vindas do cachorro.
- Programa de vendas na madrugada.
- Fim de segunda.
- Começo de sexta.
- Briga de sábado.
- Ressaca de domingo.
Todo esgotamento deixa uma sensação.
tipo de bagunça:
caixa de segredos,
série "detalhes"
Alta infidelidade
Estavam tomando vinho há muito tempo.
- Hum... Acho que nunca disse o quanto gosto das tuas sombrancelhas... Parecem desenhadas no teu rosto...
- Talvez porque as sombrancelhas sejam o desenho do rosto.
Jaime era lento com elogios. E metáforas e comparações. Já Sofia era péssima em fazê-los.
- Teus olhos são esverdeados, não é?
- Eles tem cor de avelã.
- Que cor tem a avelã?
- A cor dos meus olhos.
A noite ia adentro também questionando aquele encontro tão improvável. Ele tinha um berimbau na sala, almofadas indianas e uma quedinha por ela. Ela vestia preto, estava de colar e apaixonada por ele. Jaime despistara a namorada naquela noite. E Sofia topara ir até o apartamento. Àquela hora, a conversa não havia saído. Nem com as duas garrafas de vinho. A verdade era que os dois eram muito difíceis.
- Gostas de poesia?
- Prefiro histórias. Curtes Raul?
- Prefiro Renato Russo. Bob Dylan?
- Bob Marley. Godzila?
- Jurassic Park. Alegria?
- Quando chove. Agonia?
- Em dias quentes. Fantasia?
- De pirata. Tara?
- De espanhola. Cantar?
- Dançar. Cultura pop?
- Anos 80. Herchcovitch?
- Cavallera. McCartney?
- Em Helter Skelter.
Pausa longa. Neste momento a sala acabou por iluminar-se. Era o clima perfeito.
- Cama ou sofá?
- Sofá. Agora.
E assim eles se entenderam.
- Hum... Acho que nunca disse o quanto gosto das tuas sombrancelhas... Parecem desenhadas no teu rosto...
- Talvez porque as sombrancelhas sejam o desenho do rosto.
Jaime era lento com elogios. E metáforas e comparações. Já Sofia era péssima em fazê-los.
- Teus olhos são esverdeados, não é?
- Eles tem cor de avelã.
- Que cor tem a avelã?
- A cor dos meus olhos.
A noite ia adentro também questionando aquele encontro tão improvável. Ele tinha um berimbau na sala, almofadas indianas e uma quedinha por ela. Ela vestia preto, estava de colar e apaixonada por ele. Jaime despistara a namorada naquela noite. E Sofia topara ir até o apartamento. Àquela hora, a conversa não havia saído. Nem com as duas garrafas de vinho. A verdade era que os dois eram muito difíceis.
- Gostas de poesia?
- Prefiro histórias. Curtes Raul?
- Prefiro Renato Russo. Bob Dylan?
- Bob Marley. Godzila?
- Jurassic Park. Alegria?
- Quando chove. Agonia?
- Em dias quentes. Fantasia?
- De pirata. Tara?
- De espanhola. Cantar?
- Dançar. Cultura pop?
- Anos 80. Herchcovitch?
- Cavallera. McCartney?
- Em Helter Skelter.
Pausa longa. Neste momento a sala acabou por iluminar-se. Era o clima perfeito.
- Cama ou sofá?
- Sofá. Agora.
E assim eles se entenderam.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Criam-se homens
Para terem coragem. Honrarem sua palavra. Assumirem o compromisso de serem o que são. Defender. Criam-se homens por um motivo maior. Nós.
Criam-se homens para abrir a porta do carro. Para saber se estamos famintas. Para nos dar de comer, por mais que os olhos gulosos sejam os deles.
Criam-se homens para construir nossas casas. Elogiarem nossa comida. Para dizer que o vestido é que está curto, nunca o cabelo. Ou para dizer que não precisamos de maquiagem.
Admirarem nosso formato. Gostarem da doçura de nossos perfumes. Criam-se homens para cuidar do mundo. Do nosso mundo.
Acima de tudo, para serem dignos do amor. Do nosso amor, pois é o maior desafio dentre tantas missões destinadas a eles.
O mundo deles é cão. O nosso é caos. Criam-se homens para serem não nossos príncipes, mas nossos cavaleiros. Homens são criados no formato ideal para as mulheres.
Aqui eles são necessários. O mundo criado por eles é inadequado para nós. Mulheres precisam de homens. Porque o chuveiro, a porta e a lâmpada não se consertam sós quando quebram.
Nós também. Por mais que tenham sido por suas mãos brutas.
Nota: Este texto é um presente de aniversário. Ele vale por toda a admiração e carinho que tenho por ti. Obrigada por existir!
Criam-se homens para abrir a porta do carro. Para saber se estamos famintas. Para nos dar de comer, por mais que os olhos gulosos sejam os deles.
Criam-se homens para construir nossas casas. Elogiarem nossa comida. Para dizer que o vestido é que está curto, nunca o cabelo. Ou para dizer que não precisamos de maquiagem.
Admirarem nosso formato. Gostarem da doçura de nossos perfumes. Criam-se homens para cuidar do mundo. Do nosso mundo.
Acima de tudo, para serem dignos do amor. Do nosso amor, pois é o maior desafio dentre tantas missões destinadas a eles.
O mundo deles é cão. O nosso é caos. Criam-se homens para serem não nossos príncipes, mas nossos cavaleiros. Homens são criados no formato ideal para as mulheres.
Aqui eles são necessários. O mundo criado por eles é inadequado para nós. Mulheres precisam de homens. Porque o chuveiro, a porta e a lâmpada não se consertam sós quando quebram.
Nós também. Por mais que tenham sido por suas mãos brutas.
Nota: Este texto é um presente de aniversário. Ele vale por toda a admiração e carinho que tenho por ti. Obrigada por existir!
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