Não esqueci da carmim:
Seguem as regras
. escrever uma lista com 8 coisas que sonhamos fazer antes de ir embora daqui (?)
. convidar 8 amigos de blogs para responder também;
. comentar no blog de quem nos convidou;
. comentar no blog dos convidados, para que saibam do meme;
. mencionar as regras
Adoro listas, benhê, mas esta foi terrível de fazer. È muito pra fazer em tão pouco tempo. Ir embora pode ser uma viagem... Planeje fazer uma viagem: você sempre esquece alguma coisa na ida ou na volta...
1- Aprender mais sobre Yoga. Foi um tipo de filosofia que fez muito bem pra mim em uma época difícil, mas parei por falta de tempo (ou de outra desculpa pra parar de estudar a respeito). Quero um dia ficar velhinah e dar aulas sobre isso. Já reúno pessoas e fazemos prática. Mas ainda é bem comecinho e bem básico.
2- Atravessar a Abbey Road. Quem não souber o motivo, não me conhece MESMO.
3- Assistir uma saga completa. Sempre assisto sagas incompletas, ou paro no primeiro filme. Mas“Star wars”, por exemplo, nunca será assistindo completamente por mim...
4- Acreditar mais nas pessoas. Vai ser um processo lento e doloroso. Mas tenho esperança em conseguir, o que é um bom começo.
5- Fazer uma tatuagem bem grande em homenagem à minha mãe. Preciso dizer o motivo? Ok. Só mãe pode deixar de usar todas as roupas que gosta, ficar gordinha, cheia de água, hemorróidas e estrias durante nove longos e tenebrosos meses e ainda ficar feliz por causa disso.
6- Acertar a primeira fornada de cookie.
7- Manter uma caixa de grampos por um mês, sem perder nenhum.
8- Não deixar meus objetivos de vida se reduzirem a 8 tópicos...
Desafio (de verdade, porque é mesmo um desafio) as seguintes pessoas a fazerem um meme:
Parcimônia, eu tento!
Filia por Sofia
Ave, Palavra!
Do caderno de sonhos
Imaginarius Concrético
Fez-se
Crazy Feelings
Mulher Pequena
sexta-feira, 24 de abril de 2009
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Nora e Samuel (ou “Everylasting Love”)
“Open up your eyes, then you'll realize.
Here i stand with my everlasting love
Need you by my side.
Girl to be my pride.
Never be denied everlasting love.”
NOTA DE ESCLARECIMENTO: Tenho o péssimo hábito de não olhar o que o blogger fez nos textos depois de postá-los aqui. Uma espécie de negligência que antes até achava charmosa, mas agora comprometeu um dos textos. Este, que é tão importante, acabou sendo vítima da minha distração e da minha total inabilidade com atalhos do Office. Postei apenas o final do texto... Mil perdões, pessoal. Segue o texto na íntegra.
NOTA DE ESCLARECIMENTO: Tenho o péssimo hábito de não olhar o que o blogger fez nos textos depois de postá-los aqui. Uma espécie de negligência que antes até achava charmosa, mas agora comprometeu um dos textos. Este, que é tão importante, acabou sendo vítima da minha distração e da minha total inabilidade com atalhos do Office. Postei apenas o final do texto... Mil perdões, pessoal. Segue o texto na íntegra.
Antes do vinho barato ou da ceveja quente. Antes das malas arrumadas. Antes de ver o pôr-do-sol. Antes de criar um gato. Antes do buraco na alma.
Antes que a floricultura feche, da última sessão do cinema, que a bateria acabe.
Antes que seja tarde, que todos os que existem por aí no mundo se deem conta de seus amores perpétuos.
Abram seus olhos...
E poupem os ouvidos de seus amigos...
Abram seus olhos...
E poupem os ouvidos de seus amigos...
Samuel (ou “Everybreath you take”)
“Every move you make
Every vow you break
Every smile you fake
Every claim you stake
I'll be watching you”
Eu o achava um otário. Ligava demais, era grudento, queria sempre dormir na minha casa. No início, fiquei maluca com aquela invasão nos meus guardados. A cerveja na cama. A cueca na pia. Depois, ele se tornou meu próprio ar.
Era muito ingênuo. Era dócil. As covinhas que se abriam nas bochechas quando sorria, apesar de fundas, eram suaves. Na verdade, Samuel era um amor. Aqueles amigos babacas... Vocês me desculpem, mas os verbos “chupar” e “arrombar” não tornam uma piada engraçada. Tornam-na obscena e vulgar. Não achava a menor graça naquela turminha. E ele conseguia ser irritantemente adorável. Me apresentava às amigas e não dizia um “ai” pela cara fechada que eu fazia para todas.Todos eram bonzinhos naquele mundo mágico, todos eram de bem, bacanas e alto-astrais. Um bando de “Ternurinha”. Uns bajuladores. Nunca o magoaria falando tanta verdade inconveniente. Detestava ver ele procurando pureza nos meus olhos. Constrangia. Quando perguntei por que tanta amabilidade, ele me respondeu que gostava de pensar que a amargura vinha em forma de potinhos de exames. São simpáticos vazios. Mas quando contém “a causa da sua doença”, você quer mais é se livrar daquela porcaria. Mas que são até colecionáveis, são. Assim ele queria a amargura. Longe dele depois de curado. Que tédio.
Ah... Mas ele não sabe o quanto eu quis passar o resto da vida ao lado dele. Por exemplo, naquele dia, na casa da Larissa. Depois dela falar aquele monte sobre o canalha do João (traidor, mentiroso, safado e sonso). Samuel não entendeu muito bem quando eu disse que ela estava carente e se entregou demais. E ficou mais puto ainda quando eu pedi pra ele se tocar. Devia ter esclarecido que era pra ele se tocar sobre o João...
E depois que ela falou tanto, eu fiquei comovida. Tem gente que não guarda mágoa... Tem gente que ama. Ainda bem, porque eu já estava quase disposta a mudar pelo mundo. Isso tudo eu disse depois de assistir “A liberdade é azul”... Cheguei a enxergar um esboço de sorriso nele. Mas depois ele disse que eu era impossível de entender e foi embora.
Mal ele sabe, mas depois que a gente terminou, não paro de escutar “Close to you”. Milhares de vezes ao dia. Às vezes ligo de outro número só pra ouvir o “Alô?!” alegre dele. Também mudei o caminho só pra vê-lo saindo do trabalho (e Deus inventou o terno...). Só ver. Observar aquele gesticular tão vivo... Aposto que vai ver outra pessoa. E não me importaria quem fosse, desde que ele voltasse para os meus braços mais tarde. Ensaiei uns choros ontem à noite.
E toda vez que ele caminha pro lado contrário em que estou, eu morro aos poucos.
Mas a cada passo que ele der.
A cada suspiro dele.
Eu estarei observando.
Eu o achava um otário. Ligava demais, era grudento, queria sempre dormir na minha casa. No início, fiquei maluca com aquela invasão nos meus guardados. A cerveja na cama. A cueca na pia. Depois, ele se tornou meu próprio ar.
Era muito ingênuo. Era dócil. As covinhas que se abriam nas bochechas quando sorria, apesar de fundas, eram suaves. Na verdade, Samuel era um amor. Aqueles amigos babacas... Vocês me desculpem, mas os verbos “chupar” e “arrombar” não tornam uma piada engraçada. Tornam-na obscena e vulgar. Não achava a menor graça naquela turminha. E ele conseguia ser irritantemente adorável. Me apresentava às amigas e não dizia um “ai” pela cara fechada que eu fazia para todas.Todos eram bonzinhos naquele mundo mágico, todos eram de bem, bacanas e alto-astrais. Um bando de “Ternurinha”. Uns bajuladores. Nunca o magoaria falando tanta verdade inconveniente. Detestava ver ele procurando pureza nos meus olhos. Constrangia. Quando perguntei por que tanta amabilidade, ele me respondeu que gostava de pensar que a amargura vinha em forma de potinhos de exames. São simpáticos vazios. Mas quando contém “a causa da sua doença”, você quer mais é se livrar daquela porcaria. Mas que são até colecionáveis, são. Assim ele queria a amargura. Longe dele depois de curado. Que tédio.
Ah... Mas ele não sabe o quanto eu quis passar o resto da vida ao lado dele. Por exemplo, naquele dia, na casa da Larissa. Depois dela falar aquele monte sobre o canalha do João (traidor, mentiroso, safado e sonso). Samuel não entendeu muito bem quando eu disse que ela estava carente e se entregou demais. E ficou mais puto ainda quando eu pedi pra ele se tocar. Devia ter esclarecido que era pra ele se tocar sobre o João...
E depois que ela falou tanto, eu fiquei comovida. Tem gente que não guarda mágoa... Tem gente que ama. Ainda bem, porque eu já estava quase disposta a mudar pelo mundo. Isso tudo eu disse depois de assistir “A liberdade é azul”... Cheguei a enxergar um esboço de sorriso nele. Mas depois ele disse que eu era impossível de entender e foi embora.
Mal ele sabe, mas depois que a gente terminou, não paro de escutar “Close to you”. Milhares de vezes ao dia. Às vezes ligo de outro número só pra ouvir o “Alô?!” alegre dele. Também mudei o caminho só pra vê-lo saindo do trabalho (e Deus inventou o terno...). Só ver. Observar aquele gesticular tão vivo... Aposto que vai ver outra pessoa. E não me importaria quem fosse, desde que ele voltasse para os meus braços mais tarde. Ensaiei uns choros ontem à noite.
E toda vez que ele caminha pro lado contrário em que estou, eu morro aos poucos.
Mas a cada passo que ele der.
A cada suspiro dele.
Eu estarei observando.
Nora (ou “Try a little tenderness”)
“Oh she may be weary
Those young girls they do get weary
Wearing that same old shaggy dress
But when she gets weary
You try a little tenderness”
Eu a achava muito sexy. Aquele sarcasmo, aquele olhar irônico. Aquela maldade. No início, fiquei maluco. Corria atrás, telefonava, queria passar a noite inteira com ela (a chave de pernas...). Depois, ela se tornou a indisposição em pessoa.
Era muito inflexível. Era radical. A flor de lótus tatuada no ombro esquerdo (linda!), apesar de flor, era agressiva. Na verdade, Nora era um ultraje. Desprezar quem não lhe agradava à primeira vista era uma de suas marcas. Me fazia cada vergonha... Adorava ficar séria diante dos meus amigos piadistas. O pessoal rindo das piadas e ela lá... Impávida. Achava prazeroso analisar e não ver nada de especial em “Ternurinhas” (assim chamava as pessoas de bem, bacanas e alto-astrais). Mentia. Omitia. Mas, no fundo, eu sei que não se orgulhava. Uma vez, quando eu perguntei por que tanta amargura, disse pra mim que gostava de pensar que a ternura poderia um dia vir em latas decoradas, que nem pannetone, que você compra, se delicia e depois guarda outra coisa na lata. Ou só guarda mesmo pra lembrar-se do sabor e do cheiro. “Falta ternura no mercado”. E ela achava que um dia ia chegar. Assim. Que nem magia.
Por exemplo, quando ouviu Larissa dizer que amava o ex, seu estômago revirou. Achou nojento. “Coitada. O que é a paixão... O que é a carência...É o que dá se envolver.” Na minha frente. Eu apaixonado. Era o que ela realmente gostaria de falar pra Larissa, mas não podia. “Claro que não. Com amigos a gente mede palavra. Não é assim, na bucha: ‘Se toca’”. Acreditem: ela era muito capaz de dizer isso... Já disse pra mim.
E enquanto Larissa contava sua dor de amar, Nora ouvia com cara de asco. E depois de ouvir tanta benevolência, tanta falta de mágoa, tanta amabilidade, a repulsa se transformou (susto!) em empatia, mais tarde, depois que a gente viu aquele filme cabeça. “ Como é bonito ver um alguém que não consegue odiar...O mundo tem jeito. E, graças a Deus, não sou eu quem vai promover essa mudança. Tem gente melhor pra isso”. Ah, vou confessar, achei bonitinho quando ela falou assim. Ela tentou... Mas ficou esquisito: o ar de arrogância junto com o comportamento autodestrutivo. Era demais pra mim. Desisti de entender.
Talvez Nora tenha esperanças de ser amada um dia. De dizer pieguices, ouvir Carpenters, ficar horas pendurada no telefone com voz de criança, ser traída, correr atrás do amor perdido e chorar de verdade. Por amor. Sem pensar. Quem sabe ser uma Ternurinha. Eu não consegui.
Talvez ela esteja um pouco entediada.
Nora merece tão mais...
Um pouco de delicadeza, quem sabe..
Eu a achava muito sexy. Aquele sarcasmo, aquele olhar irônico. Aquela maldade. No início, fiquei maluco. Corria atrás, telefonava, queria passar a noite inteira com ela (a chave de pernas...). Depois, ela se tornou a indisposição em pessoa.
Era muito inflexível. Era radical. A flor de lótus tatuada no ombro esquerdo (linda!), apesar de flor, era agressiva. Na verdade, Nora era um ultraje. Desprezar quem não lhe agradava à primeira vista era uma de suas marcas. Me fazia cada vergonha... Adorava ficar séria diante dos meus amigos piadistas. O pessoal rindo das piadas e ela lá... Impávida. Achava prazeroso analisar e não ver nada de especial em “Ternurinhas” (assim chamava as pessoas de bem, bacanas e alto-astrais). Mentia. Omitia. Mas, no fundo, eu sei que não se orgulhava. Uma vez, quando eu perguntei por que tanta amargura, disse pra mim que gostava de pensar que a ternura poderia um dia vir em latas decoradas, que nem pannetone, que você compra, se delicia e depois guarda outra coisa na lata. Ou só guarda mesmo pra lembrar-se do sabor e do cheiro. “Falta ternura no mercado”. E ela achava que um dia ia chegar. Assim. Que nem magia.
Por exemplo, quando ouviu Larissa dizer que amava o ex, seu estômago revirou. Achou nojento. “Coitada. O que é a paixão... O que é a carência...É o que dá se envolver.” Na minha frente. Eu apaixonado. Era o que ela realmente gostaria de falar pra Larissa, mas não podia. “Claro que não. Com amigos a gente mede palavra. Não é assim, na bucha: ‘Se toca’”. Acreditem: ela era muito capaz de dizer isso... Já disse pra mim.
E enquanto Larissa contava sua dor de amar, Nora ouvia com cara de asco. E depois de ouvir tanta benevolência, tanta falta de mágoa, tanta amabilidade, a repulsa se transformou (susto!) em empatia, mais tarde, depois que a gente viu aquele filme cabeça. “ Como é bonito ver um alguém que não consegue odiar...O mundo tem jeito. E, graças a Deus, não sou eu quem vai promover essa mudança. Tem gente melhor pra isso”. Ah, vou confessar, achei bonitinho quando ela falou assim. Ela tentou... Mas ficou esquisito: o ar de arrogância junto com o comportamento autodestrutivo. Era demais pra mim. Desisti de entender.
Talvez Nora tenha esperanças de ser amada um dia. De dizer pieguices, ouvir Carpenters, ficar horas pendurada no telefone com voz de criança, ser traída, correr atrás do amor perdido e chorar de verdade. Por amor. Sem pensar. Quem sabe ser uma Ternurinha. Eu não consegui.
Talvez ela esteja um pouco entediada.
Nora merece tão mais...
Um pouco de delicadeza, quem sabe..
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Superfície da alma
Eu adoro superficialidades. Faço de tudo pra este blog sempre ser pseudoprofundo. Comparado a uma cárie que não chegou ainda na dentina. Não dói, mas incomoda bastante.
Ser superficial, pra mim, não é ser vazio. É muito além de ser alegre. Tem a ver com plenitude e saber vibrar de acordo com o ambiente. No fim, é deixar-se levar. Ser mais leve um pouco.
Para chegar até o lado oposto e perceber do que eu falo, lembrem daquelas discussões densas, que envolvem aqueles tipos irritantes, em geral leitores de orelhas de livros, defensores da música alternativa que ninguém conhece e das idéias furadas sobre intelectualidade. Discussão boa pra mim é sobre sabor de jujuba... Ou sobre como Paul McCartney perdeu o dente na década de 60.
Quando saio de discussões densas, tenho duas impressões: a de que eu sou mesmo muito chata e que preciso de álcool para ir até o fim. As duas impressões me deixam com dores de cabeça.
Pessoas leves são tão sutis ao se expor que você nem percebe a presença delas. Salvo pelo cheiro de baunilha ou de bala Soft que elas deixam no ar... Aquele cheiro doce e gorduroso dos parques de diversões, que ativam imediatamente os neurotransmissores de serotonina dos cérebros.
Quando falam, parece que tem uma sinfonia divertida acompanhando ao fundo essas vozes tão musicais (e sim, macias que nem um travesseiro). Não são monótonas como eu. São muito vivas e fazem gestos alegres, como que te chamando para o lanche da tarde. Adoráveis. E ponto.
Meu Deus, como eu adoro pessoas superficiais. São transparentes que nem água de nascente. Onde a gente nada, nada e nada, sem querer saber onde toda aquela pureza vai desaguar...
Acho que ficou profundo demais para um texto sobre superficialidades. É o que eu mais lamento às vezes. Não ser tão leve e etérea assim.
Conheci criaturas superficiais que são muito especiais em minha vida. Aprendi muita coisa com elas todas. Entre elas estão minha avó paterna; minhas amigas Tarsila e Jenny; minha tia Márcia; meu já falecido gato Fred; a escritora Lulih Rojanski e meu irmão Gabriel; a todos dedico este texto.
Valeu!
Ser superficial, pra mim, não é ser vazio. É muito além de ser alegre. Tem a ver com plenitude e saber vibrar de acordo com o ambiente. No fim, é deixar-se levar. Ser mais leve um pouco.
Para chegar até o lado oposto e perceber do que eu falo, lembrem daquelas discussões densas, que envolvem aqueles tipos irritantes, em geral leitores de orelhas de livros, defensores da música alternativa que ninguém conhece e das idéias furadas sobre intelectualidade. Discussão boa pra mim é sobre sabor de jujuba... Ou sobre como Paul McCartney perdeu o dente na década de 60.
Quando saio de discussões densas, tenho duas impressões: a de que eu sou mesmo muito chata e que preciso de álcool para ir até o fim. As duas impressões me deixam com dores de cabeça.
Pessoas leves são tão sutis ao se expor que você nem percebe a presença delas. Salvo pelo cheiro de baunilha ou de bala Soft que elas deixam no ar... Aquele cheiro doce e gorduroso dos parques de diversões, que ativam imediatamente os neurotransmissores de serotonina dos cérebros.
Quando falam, parece que tem uma sinfonia divertida acompanhando ao fundo essas vozes tão musicais (e sim, macias que nem um travesseiro). Não são monótonas como eu. São muito vivas e fazem gestos alegres, como que te chamando para o lanche da tarde. Adoráveis. E ponto.
Meu Deus, como eu adoro pessoas superficiais. São transparentes que nem água de nascente. Onde a gente nada, nada e nada, sem querer saber onde toda aquela pureza vai desaguar...
Acho que ficou profundo demais para um texto sobre superficialidades. É o que eu mais lamento às vezes. Não ser tão leve e etérea assim.
Conheci criaturas superficiais que são muito especiais em minha vida. Aprendi muita coisa com elas todas. Entre elas estão minha avó paterna; minhas amigas Tarsila e Jenny; minha tia Márcia; meu já falecido gato Fred; a escritora Lulih Rojanski e meu irmão Gabriel; a todos dedico este texto.
Valeu!
Listas: o fascínio – parte I
A lista traz uma espécie de ordem para a vida. Por um lado é fantástico. Lembro da minha época (áurea, para não dizer o contrário) do vestibular, em que elementos químicos, fórmulas físicas, acontecimentos históricos e regras (as velhas ) de gramática povoavam meus post-it`s e papéis usados (pois lista boa se cria em papel velho, como sacos de farmácia ou o próprio extrato bancário, por cima da marca d’àgua do banco). Não que fossem diminuir minha ansiedade ou provar que eu tinha conhecimento e lembrava da matéria. Afinal, não é nem um pouco bacana ver sua memória reduzida a pedaços de papel. Esquecer algo que estivesse entre alguma das listas era ultrajante. Era ser traída por mim mesma. E o mais engraçado é que nunca as usava para colar. Vai ver eu esquecia de usá-las ilicitamente em provas porque não colocava este propósito em lista nenhuma...Desde então, esta sina me persegue.
Uma das minhas explicações para o meu fascínio pelas listas é a desordem dos meus pensamentos. Meu cérebro é um fanfarrão. Prega peças em mim a todo instante. Por isso, adoro aquela sequencia de palavras, uma atrás da outra em fluxo... Aquela ilusão de organização... Aquele falso cuidado... Uma iminência de tomada de decisão.
Acho um barato a restrição que ela nos proporciona, no final. Por exemplo: “coisas que adoro comer”, “coisas que detesto comer”. Pode-se restringir: “coisas que não como que comecem com a letra D”. Lindo. Organizado. Quase chato. Um desejo intrínseco meu, confesso.
Esse tipo de coisa. Diria pra vocês que é um desafio fazer uma lista, no fundo. Imagina restringir a cinco itens as frases que a minha mãe mais falam que me tiram do sério. Pecaria ou por falta ou por excesso.
Mas existe um mistério acerca das listas (pelo menos as minhas) que nunca consegui desvendar.
Elas somem.
Sim. Inexplicavelmente, aquela compra de supermercado planejada e rabiscada some junto com a despensa do mês. E não, você não jogou fora junto com a caixa de cereais, você tem certeza. Seria mais fácil comê-la junto com eles...
Ou aquela pequena rota que foi feita para não se esquecer de pagar as contas, pedir cancelamento de carão ou ligar para a Dona Matilde. Você abre as gavetas no dia seguinte às tarefas e... pluft! A lista não está mais lá.
Minha conclusão não é o desfecho deste mistério, com toda a certeza.
De repente, algumas coisas de que lembramos é damos tanta importância não são assim tão relevantes para ficar no topo de nossa lista de lembranças.
É. Acho que dou muita moral pra caixinhas de suco que esqueço de comprar todo o mês.
Uma das minhas explicações para o meu fascínio pelas listas é a desordem dos meus pensamentos. Meu cérebro é um fanfarrão. Prega peças em mim a todo instante. Por isso, adoro aquela sequencia de palavras, uma atrás da outra em fluxo... Aquela ilusão de organização... Aquele falso cuidado... Uma iminência de tomada de decisão.
Acho um barato a restrição que ela nos proporciona, no final. Por exemplo: “coisas que adoro comer”, “coisas que detesto comer”. Pode-se restringir: “coisas que não como que comecem com a letra D”. Lindo. Organizado. Quase chato. Um desejo intrínseco meu, confesso.
Esse tipo de coisa. Diria pra vocês que é um desafio fazer uma lista, no fundo. Imagina restringir a cinco itens as frases que a minha mãe mais falam que me tiram do sério. Pecaria ou por falta ou por excesso.
Mas existe um mistério acerca das listas (pelo menos as minhas) que nunca consegui desvendar.
Elas somem.
Sim. Inexplicavelmente, aquela compra de supermercado planejada e rabiscada some junto com a despensa do mês. E não, você não jogou fora junto com a caixa de cereais, você tem certeza. Seria mais fácil comê-la junto com eles...
Ou aquela pequena rota que foi feita para não se esquecer de pagar as contas, pedir cancelamento de carão ou ligar para a Dona Matilde. Você abre as gavetas no dia seguinte às tarefas e... pluft! A lista não está mais lá.
Minha conclusão não é o desfecho deste mistério, com toda a certeza.
De repente, algumas coisas de que lembramos é damos tanta importância não são assim tão relevantes para ficar no topo de nossa lista de lembranças.
É. Acho que dou muita moral pra caixinhas de suco que esqueço de comprar todo o mês.
tipo de bagunça:
caixa de segredos,
falando com as paredes
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Para tudo tem um tempo.
Por mais céticos que possamos ser, acreditamos em algum tipo de fluxo. Algum tipo de sucessão de acontecimentos, nas coincidências, na volta de Jesus, nas ações e reações, na justiça (ou injustiça). Que seja. Tem até aqueles que dizem que não acreditam em Deus, em Buda, em líderes, em oráculos... E, no entanto, acreditam em pessoas... Cada um com suas crenças. Eu, por exemplo, me considero bastante espiritualizada, mas não tenho religião. Acredito em várias coisas, e sim, em Deus. Desacredito em outras. Para tudo tem um tempo. Inclusive para eu deixar de acreditar em algumas e acreditar em outras.
E querendo ou não, é tempo de resoluções para o início do ano de 2009. Não seria eu a exceção insuportável e ridícula para dizer que não me importo com o ano novo que chega. Como todos os que sofrem, choram, passam por boas fases, aprendem, desaprendem, aproveitam e vivem a vida, tenho esperanças de pelo menos terminar o que começo e continuar a escrever minha história pelo planeta Terra.
Apesar de achar que ainda tenho muito pra fazer e pouco tempo pra executar, passei a acreditar que existem as épocas certas. Eu não acreditava em tempo bom e tempo ruim pra fazer o se quer. Tudo era muito aleatório pra mim. Pois, no fim, é difícil não querer tudo pra ontem. Sofrer de ansiedade. Manter válvulas de escape. Sofrer por antecipação.
Nesse ano que chega, espero só isso. Mais tempo. Não um ano, mas 365 dias. Assim, quem sabe teremos discernimento para perceber as várias épocas. Pensar um pouco no que fazer, no que dizer, no que esperar. Perceber as estações mudarem, ao menos.
Eu resolvi linkar pra vocês um vídeo de uma música que fala disso: de tempo, de ações (boas e más, pois humano é isso mesmo), de paciência e esperança. E fé também, por que não?
http://www.youtube.com/watch?v=EKHstR6ndus&feature=related
“Turn! Turn! Turn!” é uma música composta na década de 50 por Peter Seeger, que acabou sendo gravada por esses caras aí do vídeo, The Byrds, lá pela década de 60. Claro, acompanhava o ritmo de revolução, de mudança e esperança típicos desta década que ainda me encanta até hoje. Prova apenas que esperar pelo melhor nunca sai de moda; sempre está na iminência de voltar, como as pantalonas e os óculos grandes. Esta vesão é a mais conhecida e faz parte da trilha sonora de um dos meus filmes favoritos, “Forrest Gump, o contador de histórias” e agora, da minha vida. Foi baseada num trecho da Bíblia (Eclesiastes, 3.1- 8, não sei como funcionam essas divisões do livro, mas acho que é isso. É um livro do Velho Testamento, segundo as minhas fontes.). Aos dizeres do livro em que foi baseada a canção, apenas foi acrescentada a frase final: “a time for peace, I swear it's not too late”.
Confiram. Faz bastante sentido ao ser lido. E para quem tem o ouvido musical, faz mais sentido ainda quando cantado. Dá até vontade de dar uma dançadinha (tá, tá, confesso que eu que sou empolgada mesmo...)
Espero mesmo que entendam a mensagem. É o que espero de toda a minha vida. Mas, como nada pode ser tão perfeito assim, temos que passar por etapas: cada ano que termina e começa é prova disso tudo.
Acompanhem a letra também, ó:
To everything
Turn, turn, turn
There is a season
Turn, turn, turn
And a time for every purpose under Heaven
A time to be born, a time to die
A time to plant, a time to reap
A time to kill, a time to heal
A time to laugh, a time to weep
To everything
Turn, turn, turn
There is a season
Turn, turn, turn
And a time for every purpose under Heaven
A time of love, a time of hate
A time of war, a time of peace
A time you may embrace
A time to refrain from embracings
To everything
Turn, turn, turn
There is a season
Turn, turn, turn
And a time for every purpose under Heaven
A time to gain, a time to lose
A time to rend, a time to sew
A time for love, a time for hate
A time for peace, I swear it's not too late
To everything
Turn, turn, turn
There is a season
Turn, turn, turn...
E querendo ou não, é tempo de resoluções para o início do ano de 2009. Não seria eu a exceção insuportável e ridícula para dizer que não me importo com o ano novo que chega. Como todos os que sofrem, choram, passam por boas fases, aprendem, desaprendem, aproveitam e vivem a vida, tenho esperanças de pelo menos terminar o que começo e continuar a escrever minha história pelo planeta Terra.
Apesar de achar que ainda tenho muito pra fazer e pouco tempo pra executar, passei a acreditar que existem as épocas certas. Eu não acreditava em tempo bom e tempo ruim pra fazer o se quer. Tudo era muito aleatório pra mim. Pois, no fim, é difícil não querer tudo pra ontem. Sofrer de ansiedade. Manter válvulas de escape. Sofrer por antecipação.
Nesse ano que chega, espero só isso. Mais tempo. Não um ano, mas 365 dias. Assim, quem sabe teremos discernimento para perceber as várias épocas. Pensar um pouco no que fazer, no que dizer, no que esperar. Perceber as estações mudarem, ao menos.
Eu resolvi linkar pra vocês um vídeo de uma música que fala disso: de tempo, de ações (boas e más, pois humano é isso mesmo), de paciência e esperança. E fé também, por que não?
http://www.youtube.com/watch?v=EKHstR6ndus&feature=related
“Turn! Turn! Turn!” é uma música composta na década de 50 por Peter Seeger, que acabou sendo gravada por esses caras aí do vídeo, The Byrds, lá pela década de 60. Claro, acompanhava o ritmo de revolução, de mudança e esperança típicos desta década que ainda me encanta até hoje. Prova apenas que esperar pelo melhor nunca sai de moda; sempre está na iminência de voltar, como as pantalonas e os óculos grandes. Esta vesão é a mais conhecida e faz parte da trilha sonora de um dos meus filmes favoritos, “Forrest Gump, o contador de histórias” e agora, da minha vida. Foi baseada num trecho da Bíblia (Eclesiastes, 3.1- 8, não sei como funcionam essas divisões do livro, mas acho que é isso. É um livro do Velho Testamento, segundo as minhas fontes.). Aos dizeres do livro em que foi baseada a canção, apenas foi acrescentada a frase final: “a time for peace, I swear it's not too late”.
Confiram. Faz bastante sentido ao ser lido. E para quem tem o ouvido musical, faz mais sentido ainda quando cantado. Dá até vontade de dar uma dançadinha (tá, tá, confesso que eu que sou empolgada mesmo...)
Espero mesmo que entendam a mensagem. É o que espero de toda a minha vida. Mas, como nada pode ser tão perfeito assim, temos que passar por etapas: cada ano que termina e começa é prova disso tudo.
Acompanhem a letra também, ó:
To everything
Turn, turn, turn
There is a season
Turn, turn, turn
And a time for every purpose under Heaven
A time to be born, a time to die
A time to plant, a time to reap
A time to kill, a time to heal
A time to laugh, a time to weep
To everything
Turn, turn, turn
There is a season
Turn, turn, turn
And a time for every purpose under Heaven
A time of love, a time of hate
A time of war, a time of peace
A time you may embrace
A time to refrain from embracings
To everything
Turn, turn, turn
There is a season
Turn, turn, turn
And a time for every purpose under Heaven
A time to gain, a time to lose
A time to rend, a time to sew
A time for love, a time for hate
A time for peace, I swear it's not too late
To everything
Turn, turn, turn
There is a season
Turn, turn, turn...
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