quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Primeira seleção

( as frases a seguir são desta época, 2005)

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Quando avisado que ia ficar com a avó:
“A senhora errou, mãe. Vó não fica com filho. Fica com neto. Ela tem é que ficar com o papai.”

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Quando minha mãe trabalhava no banco, uma das desculpas que ela usava para sair para trabalhar era que “o cliente” estava lá esperando por ela. Certo dia, ele ligou para o banco e falou com ela:
“Mãe, deixa eu falar com o cliente para ele deixar você voltar para casa?”

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Desde muito neném, Luciano sempre foi louco por água de coco. Certa vez, meu pai estava falando do sítio do meu tio, o qual ele tinha visitado no fim de semana.
“ - ...tem cajueiro, cupuaçuzeiro...”
E o Luciano completou:
“- ... ‘água de cocozeiro...’”

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“- Pai, o senhor sabe fazer gemada?
- Sim... Bate a clara, aí coloca a gema do ovo, açúcar...
- Aaah, o senhor sabe! Então faz uma pra mim?”

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De repente, na cama:
“-Ora, ora, ora... O lápis não é da senhora.”
(o primeiro verso rimado que ele fez)

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“- Pai, sentir é fazer o quê?”

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No dia do aniversário de 4 anos, minha mãe diz a ele:
“- Parabéns, já tem quatro anos o meu bebê!”
E ele, sabiamente responde:
“- Eu não gostei de crescer.”

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Mamãe comprou um cofrinho para cada um dos meninos e disse:
“- Olha, ninguém pode mexer nas moedas porque isso já é pro natal de vocês.”
E ele:
“- O Papai Noel agora é pago, é?”

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Aí a mãe deu um sermão antes do Natal, pois de criança danada a gente nunca escapa:
“- O Papai Noel não gosta de menino que não obedece, não escova os dentes, etc...”
E ele:
“- O Papai Noel não se mete nisso tá? Ele é o Papai Noel, dã!”
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Deixei por último a que mais me emociona quando leio e me faz perceber o quanto cortar o cordão umbilical é uma tentativa frustrada de nos fazer independentes.
“ – Mãe, antes de eu nascer eu era triste porque eu ainda não tinha mãe. O ‘papai do céu’ não sabe cuidar de bebê.”

Uma lista especial

Criança é uma dádiva. Lembro-me muito bem de ter sido uma criança muito quieta, pouco artista e fácil de enganar. Vejo hoje o quanto eu era uma criança sem graça, isso sim. Mamãe lembra de poucos momentos e tiradas minhas. Acho que era porque eu tinha muito medo de falar e conversar com adultos. Acreditava em uma hierarquia, uma superioridade que permeava o mundo adulto... Acredito que, quando era criança, não queria ser criança. Queria ser adulta para poder participar daqueles grandes debates regados àquela bebidinha amarela e amarga (vai dizer que você nunca provou do copo escondido???)... Adultos, para mim, eram super-heróis. Meu conceito de felicidade estava na roda de adultos conversando.
É. Eu continuo ainda muito fácil de enganar.
Diferente de meus irmãos, que sempre foram muito espirituosos, falantes e espertos quando pequenos. Não lembro de muitas coisas dos dois mais velhos, pois era muito chata e não me deslumbrava com coisas muito simples (ai, a adolescência... O rito de passagem mais doloroso que tive) quando eles nasceram e tiveram seus momentos, por isso não curti muito (com pesar, hoje percebo) as infâncias dos dois.
Mas o mais novo é o que possui a maior quantidade de frases, conceitos, cenas e tiradas que estão frescas em minha memória.
Durante minha ausência em casa durante um ano (fui morar em Campinas em 2005), senti muito não ter visto uma das fases mais incríveis dele: os 3 anos, onde as dúvidas surgem, o vocabulário se desenvolve e a necessidade de se comunicar traz definições de palavras e construção de frases no mínimo interessantes para um universo tão pequeno ainda.
Neste período, minha mãe teve a brilhante idéia de registrar em sua agenda as frases mais fofas e as perguntas e situações que englobavam a ingenuidade e a curiosidade de uma criança de 3 anos.
A partir de agora, postarei as frases mais célebres e as situações mais memoráveis que passamos com ele e continuamos a passar, pois a idade está trazendo cada vez mais a capacidade monstra de nos surpreender.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Tendências: parte 2

Depois de escrever o post anterior, recebi dois comentários que sugeriram que eu tivesse um pouco mais de ponderação ao lidar com assuntos delicados.

Foi enfatizado, segundo Arthur Melo, em outro quadro de comentários, que, ao "enquadrar todo mundo que se diz depressivo/bipolar/boderline no mesmo grupo dos que querem estar na moda, dos que exageram ou simulam sentimentos, é perigoso, pois a denotação poderia se estender àquelesque realmente precisam de ajuda."


Se houve mais mal-entendidos do tipo, peço desculpas a quem leu, realmente não foi a intenção.

Respondi em um dos comentários que "assuntosdelicados" são reais e que a realidade não fica cheia de dedos ao nos atingir. Por isso não tenho muitos freios quando escrevo.

Acho que ainda vou escrever muitas retratações por aqui...

Mais uma vez, desculpem o mal-entendido.

sábado, 8 de agosto de 2009

Tendências

Tá na moda ser depressivo. É fashion ser bipolar. Quem não tem terapeuta, é antiquado. E quem não toma um ansiolítico de vez em quando, não está antenado. Quando foi que a felicidade se tornou um artefato de brechó, minha gente? Aquela peça que no passado todo mundo tinha, mas que com o passar dos anos acaba ficando over demais e para num lugar onde é estocada e oferecida pra um ou outro admirador de antiguidades, a preço de banana.

A grande tendência é não ter esperança. A dor é mais vistosa. A dor desfila na passarela, com as costelinhas e os ossinhos da bacia saltando, dizendo que ser culto e sabido já basta. Amor, paz de espírito e alegria de viver (saúde mental, por assim dizer) a gente encontra em maços de cigarro ou em caixinhas de Lexotan.

O lado negro deste modismo é o exagero, como em todo modismo. Ser indivíduo já é uma carga muito grande.
Um indivíduo individualista e intrínseco é um perigo...
Não sei quanto a vocês, mas mergulhar em minha própria mente não lá das tarefas mais agradáveis pra mim. Tá. Também não é das mais assustadoras; afinal, não sou tão ruim e tenebrosa como pareço (ou talvez já esteja acostumada...). As mazelas da alma te levam a um estado contemplativo de si mesmo. É como usar um pijama na rua... Uma hora vão te chamar atenção a respeito. Ninguém quer uma pessoa de pijama ao seu lado no ônibus. Nem um “depressivo/bipolar/ansioso/... por hobby”, destilando por aí todas suas queixas de mundo imperfeito...
Isso inclui os top top do in: os que tem olheiras. São endeusados. Os Bündchen de todo esse surto de transtornos mentais. Olheira é sinal de problema. Quem tem olheira não dorme. E, sinceramente, pra mim, quem não dorme não é normal... Mas, fazendo par com o lápis preto esfumaçado e uma sombra com a cor da última estação, elas fazem a cabeça desses fashionistas.

Bom. Eu posso estar meio fora de moda. Ou simplesmente adotar alguns destes itens da moda atual sem me declarar escrava (igualzinha a minha redenção ao jeans saruel e o boyfriend). Na verdade, eu gosto mesmo é de uma boa havaiana azul e branca, toda carcomida, que fica na porta da minha casa e serve pra tudo.

A felicidade pode ser meio démodé pra alguns (ainda usam essa expressão????). Mas eu acredito que ela seja mesmo vintage... E, que eu saiba, o vintage ainda continua em alta.
Então, que venha a primavera, suas flores, o cor-de-rosa, batom vermelho, a alegria plástica dos anos 50 e , claro, a felicidade.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Um mais um

Me disseram uma vez que as pessoas não se completam... (essa pessoa vai ler este texto e irá se lembrar). As pessoas se somam. E que as outras operações matemáticas, que não a soma, acabam com os relacionamentos.
Então eu entendi tudo errado. Mas tão errado que penso que soma é infinita. Infinito é muito pra mim. Acho infinito triste pois, até onde eu sei, não sou infinita. Quando eu morrer, pode ser que outras vivências comecem. Mas a minha vida, ela tem um fim. Um ponto, nem que seja pra escrever outro parágrafo.
E se todo mundo apenas te soma, qual é o sentido de ser só? Qual o sentido de nascer ligado a alguém por um cordão? E qual era a da mãe-natureza ao criar na mulher um vazio anatomicamente proporcional ao que o homem tem a mais? E ainda, dentro deste vazio, fazer brotar vida?

Como assim, um mais um é dois?

Não sei daqueles que se bastam e que são um completo. Pra mim, certos vazios precisam ser preenchidos. E se a lógica das pessoas que somam umas às outras se aplica a isso, não preciso de mais vazios, muito obrigada.

sábado, 27 de junho de 2009

da série "detalhes" - vida de experiência


- Conhecer a fundo a maior quantidade possível de olhares.
- Viajar sem destino.
- Raciocínio mais rápido até que o bom-senso
- Aprender línguas e linguagens
- Comer muitos ovos fritos
- Começar muitas coisas sem terminar: ginástica, curso de desenho ou aprender a tocar um instrumento
- Passar pelo rock, punk, alternativo, jazz, MPB, reggae, e se emocionar com Simon and Garfunkel
- Praticar o mal sem saber o que é
- Estudar cinema, alemão ou LIBRAS
- Andar ligeiro e sorridente
- Poupar as suas melhores lágrimas
- Procurar o amor na felicidade e a felicidade no amor
- Fechar os olhos em momentos de lucidez
- Rasgar cartas de quem te magoa
- Ler manuais de instruções
- Cantarolar no chuveiro
- Querer refazer o que foi feito errado (sempre)
- Hedonismo
- Dar continuidade ao que não tem
- Terminar um conceito com ponto final
A vida dura as experiências.

da série "detalhes" - experiência de vida

- Chegar aos oitenta ainda lúcido
- Conhecer muitos lugares mas morar em apenas um
- Ter um sotaque
- Saber fazer algo para comer que seja único e especial.
- Colecionar alguma coisa.
- Ter uma boa discoteca
- Perceber que não existem males necessários, mas, sim, aquilo que é mal se for necessário.
- Ter um filme que por mais que você assista, sempre chore.
- Nunca prender: xixi (dá celulite), lágrima (dá câncer) e um amor (dá solidão).
- Olhar nos olhos de quem se fala
- Rugas de (boa) expressão
- Uma camisa de banda que ainda sirva de pijama
- Caixa de sapato com cartas
- Caixa de ferramentas com algumas chaves que não foram usadas
- Saber de cor uma canção qualquer do Roberto.
- Ainda assustar-se com a maldade
- Buscar ebriedade em prazeres mais duradouros, libertadores e verdadeiros.
- Deixar de julgar fatos e de fatorizar julgamentos.

A experiência dura a vida.