sábado, 6 de dezembro de 2008

da série "detalhes" - A ROTINA DO CANSAÇO


- Problemas estomacais
- Analgésicos
- Válvulas de escape que só aumentam mais ainda as tensões
- Viroses
- Fim de semana que dura apenas 48 horas
- Cheiro de cigarro
- Desaprender o significado da expressão “refeição decente”
- Olheiras
- Antiácido
- Aprender a detestar: domingos à noite, finais de segundas-feiras, terças à tarde e quintas à noite.
- Chuva no asfalto
- Céu sem nuvem
- Goteiras em lugares impossíveis de achar
- Chuveiro queimado
- Televisão no quarto
- Boas-noites distribuídos penosamente
- Pijamas escuros
- Solidão de quarto
- Relógio atrasado

Para quando o cansaço for rotineiro.

da série "detalhes" - O CANSAÇO DA ROTINA


-Piadas de e-mail
-Happy-hours em preto e branco
-Confraternizações com alguma baixaria
-Bons-dias distribuídos mecanicamente
-Fim de semana que dura imensos dois dias
-Conversa de fila
-Música de ônibus
-Café da firma
-Cheiro de álcool típico dos lugares desprovidos de calor humano
-Ar-condicionado
-Calor de asfalto
-William e Fátima
-Solidão de sala de estar
-Comida que enche e não satisfaz
-Cama de casal cheia de espaço
-Despertador

Para quando a rotina for cansativa

Olhem só que engraçado...

“... o esforço pra lembrar é a vontade de esquecer...”
(Rodrigo Amarante)

Conversando sobre mais amenidades da vida com a minha grande amiga, chegamos aos versos de Amarante em “O vento”. E, que genial, é uma frase que serve de esqueleto para muitas verdades. Experimentem:

- O esforço pra dormir é a vontade de acordar.
- O esforço pra jejuar é a vontade de comer.
- O esforço pra calar é a vontade de falar.
- O esforço pra rir é a vontade de chorar.
- O esforço pra mudar é a vontade de permanecer.
- O esforço pra ir é a vontade de ficar.
- O esforço pra perdoar é a vontade de culpar.
- O esforço pra ensinar é a vontade de aprender.
- O esforço pra odiar é a vontade de amar.

Uma questão: seria a vontade uma espécie de sina, afinal?

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Carta à Preguiça

Prezada colega,

Escrevo informalmente para dizer que seus serviços de tantos anos serão recompensados. Mas infelizmente, não será possível mantê-la durante muito tempo nesta empresa. Entenda: o horário de almoço diminuiu, estamos numa época de grande demanda de clientes e a área de atuação vai ter que diminuir... Quem sabe se você se encaixar em outros setores, como o de informática? Ou de produção artística? Ou de repente em um setor em que as ordens venham de cima e as decisões sejam tomadas por alguém mais influente? Quem sabe você se encaixa aos poucos... como quem não quer nada... apenas se entrosando com o pessoal... Quer um conselho? Não chegue dando ordens, invadindo os espaços ou ditando o ritmo de trabalho. As pessoas se sentem intimidadas com muita influência. E você sabe que tem um potencial, não é, garota?
Acontece que se você chegar botando banca e mandando em tudo, podem te confundir com a temida folga... Sabe como é: funcionário preguiçoso, atura-se até certo ponto... Mas um funcionário folgado... iiiih... É inaceitável.
É preciso que você deixe de lado os setores ligados à administração e à criação de qualquer coisa! Fontes seguras confirmam que sua influência não é muito bem vista nestes lugares...

Ok, ok... Acho que você já percebeu. Preciso ser mais direta, estou enrolando: não faça planos financeiros para 2009... A verdade é que a qualquer hora podem te dispensar...
Não crie laços nesta firma: trabalho é trabalho. A Criatividade, com aquele nariz empinado, e o Dinamismo (você sabe como ele é competitivo, o desgraçado!) estão só esperando você dar qualquer deslize! Fique atenta, eles são muito falsos. Lembra da aula de marketing que tu procrastinou? Pois bem, lá falava que o mercado ia te engolir!
Mas calma... não se desespere. Sempre haverá um espaço pra você. Aquela hora do almoço demorada... aquela conversa jogada fora na copa, no cafezinho... As pesquisas inúteis na internet...
O que me deixa aflita é saber que nem no clube do Nadismo você é bem-vinda... Ter preguiça é fazer algo, entende?
Nada contra, você sabe que eu sou tua simpatizante, moça... Mas ordens são ordens... Sabe como é.

É pra você passar no RH depois do expediente.

Sabe, você poderia tentar algo no funcionalismo público... Ou quem sabe tentasse estudar de novo...........................


(...continua indefinidamente... Pois dela, a gente não se livra nem com abaixo-assinado)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Com açúcar, tempero, boas idéias e muuito... muuuuuuuuito afeto...

Qual foi a coisa mais bonita que já te disseram nessa vida? Não vale “eu te amo”.Quer dizer, até vale, desde que seja de uma forma criativa.
No final de semana passado, quando tudo ia tão mal, enxerguei de forma contrária tudo o que vinha me acontecendo até então.
Bom. Mais esclarecimentos para que vocês possam entender. Sobre o meu estágio: passei (e ainda passo) semanas infernais por conta do Natal. Aaah... O Natal! Essa época tão mágica, encantada e empolgante, capaz de fazer o clima equatorial e desértico de Macapá se tornar o mais agradável do mundo inteiro... Pois devo avisá-los: isso não acontece em uma agência de publicidade, queridos. O clima muda, mas a pressão é a mesma. Criar roteiros para propagandas relacionados à época de festividades tem virado um martírio pra mim. Martírio a ponto de querer dar um belo chute no saco do Papai Noel. E quebrar asinhas de anjo, esganar cantores de corais, etc... O simples tilintar de sinos já me faz ficar em estado de alerta.
Toda essa tensão, como eu já previa, resultou num dos meus maiores pesadelos. Conhecida de vocês, leitores, que acabam tendo que engolir qualquer coisa que eu escreva: a tal da falta de criatividade!
Pensem: como ser criativo ao tentar vender um mesmo aparelho celular em três operadoras diferentes? E quando essas mesmas três operadoras são cooperadas de três lojas diferentes? Imagino que tenham feito as contas. Dá um total de nove roteiros. Certo. Só que para cada roteiro, é necessário mais duas opções. Drama. Cérebro murcho. Estafa mental. Desculpas esfarrapadas, bem sei.
Juro por tudo que se ache de mais sagrado que cheguei a pensar em formas bem descaradas de expor um telefone em pleno Natal. Ok, acho que entreguei algumas dessas idéias no meio do trabalho, tamanho o desespero.
No fim de tudo, concluo que não tem sido muito tranqüilo e que é inevitável não falar ou sonhar ou escrever sobre trabalho. O ápice de todo esse rebuliço foi uma chamada da chefe: “Superficiais demais. Acredite sim no produto. Mas lembra que é Natal, vai com calma. Sem contar que achei tudo meio igual...”
Eu poderia revidar tentando explicar a essência superficial do texto publicitário. Mas eu não estava apta para falar disso, fiquei desarmada. A tal da banalização da data de aniversário de J.C. já foi e é tema de muitos outros blogs por aí. De certa forma, admiro quem tenha a pachorra de acompanhar e discutir a respeito. Fato: não fui muito criativa no trabalho que desenvolvi, isso me afetou profundamente e vim chorar as pitangas aqui.
A criatividade, amigos, está relacionada com a capacidade de resolver problemas. O criativo encontra soluções práticas e alternativas para os pepinos do mundo. Alguém dizer que você não foi criativo em alguma coisa é deprimente. É o mesmo que dizer “você não foi capaz de resolver ISSO?! Fiascoooo...”. E , para mim, é o fim.
Maaaaaaaaas, tive a minha volta. A frase que eu precisava. A boniteza que me fez esquecer o fiasco e me inspirou (acredito) a persistir no exercício da diferença e do destaque.
Adoro cozinhar. Acredito que é a forma mais primitiva de levar felicidade a alguém. Parece que ver pessoas satisfeitas com a comida deve ser a mesma sensação que se tem ao matar um monstro muito malvado. Matar a fome e ainda deixar alguém satisfeito por ter saboreado um prato bem feito e gostoso é lindo. É mágico. É meu hobby, aqui confessado. E nesse fim de semana, depois de uma fornada de cookies de granola, a nossa sala de casa ficou cheirando (que ironia...) a Natal. Vocês sabem: cheiro de canela, chocolate e qualquer outra especiaria têm cheiro de Natal.
Minha mãe, que não é acostumada a gabar as nossas qualidades (não condeno e até acho estimulante), pegou um dos cookies e foi para o seu quarto compor. Fiquei na sala, vendo TV e a tigela de biscoitos ficando vazia diante da gula dos meus irmãozinhos. Computador, quarto, cozinha, copo d’água. Sentei de novo no sofá, quando vi a figura pequenina e agitada de mamãe abrir a porta do quarto. Com a cabecinha de fora e um sorriso que só lembro ter visto num porta-retratos antigo da minha avó, ela disse:
- Filha, esse cookie é uma das coisas que eu mais gosto de comer na minha vida.
E fechou a porta antes que eu pudesse esboçar qualquer reação.
A minha reação é este texto e a constatação de que sempre se pode fazer alguém um pouco menos triste. Seja na cozinha, no Natal ou na publicidade.
Entreguei os roteiros refeitos. Faltam serem aceitos.
Ou não.
Qualquer coisa, uma fornada de cookie deve resolver.


P.S: Tive saudades disso aqui em momentos mil...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A série de uma não-detalhista

Acho que vou mudar o nome do blog de “quarto” para “confessionário”! Tem sempre algo pessoal envolvendo isso aqui. Nem queria que fosse, mas...

Pois bem, dessa vez, escrevo sobre detalhes. Não!! Não é mais uma das listas às quais vocês estão acostumados... Listas, inclusive, que me renderam elogios, mesmo de pessoas que não deixam seu comentário e endereço pra contato; porém, sei que são bons leitores e freqüentadores desse cantinho aqui...Obrigada! Sempre pensei que um dia a série “detalhes” fosse ter fim por simples falta do que escrever. Mas a cada comentário e sugestão, percebo que ainda há muito a “detalhar” em listas...

Mas a princípio, queria esclarecer que “detalhes” é uma série que não tem a ver comigo, se vocês tomarem ao pé da letra. Não parece, mas eu sou a pessoa mais generalizadora que vocês podem conhecer. Nunca fui atenta a detalhes; eles me passam de forma despercebida, pois sou muito distraída... Esse é um dos motivos pelos quais eu faço listas: para lembrar o que pode me fugir à razão.

As pequenas coisas da vida, os pequenos prazeres nunca foram detalhes para mim, na verdade! Fazem parte do meu dia-dia, assim como ir para a faculdade. Acredito que tudo o que listo na série é muito habitual para mim. Assim como para Arnaldo Antunes, acho que “as coisas têm, peso, volume, tamanho, tempo, forma, cor, densidade, cheiro valor...”. Isso não é detalhe nenhum, queridos. É comum. Se sentirmos que o cheiro de alguma coisa é um detalhe, não é diferencial. É insensibilidade. O cheiro está lá para ser sentido...

Agora: por que o nome da série é “detalhes”? Por um acaso teria o mesmo efeito sobre vocês se tivesse o nome de “série coisas comuns que eu acho que deveriam ser comuns para todos”? Foi impossível escapar desse termo... É acessível, direto e todo mundo entende...

Bem, no fim, tudo isso é para esclarecer de vez que eu não sou uma detalhista. Detesto esse tipo de rótulo. Detalhistas são metódicos, chatos, organizados, racionais e chatos outra vez. Então, deixo uma pergunta pra vocês pensarem a respeito: o que é o detalhe perto da sensibilidade das minúcias?

Um detalhe pode ir muito além do hábito. Mas nunca vai alcançar a plenitude de quem é sensível. Um detalhe, para mim, continua sendo um detalhe.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

da série "detalhes" - A EXPRESSÃO DA FELICIDADE


- Fazer as pazes e ir dormir tranqüilo
- Sorrir para o espelho de manhã
- O olhar cúmplice de depois do amor
- Dançar sem nenhuma vergonha a música favorita (dentro do seu quarto, claro...)
- Engolir o vento que sopra na frente da cidade
- Bolhas de sabão
- A liberdade do pára-quedista
- O aroma de vida que têm os bebês
- O gosto de fermento fresco que tem o pão que a minha avó faz
- Os intermináveis mantras de “My sweet lord”
- As ruguinhas dos cantos dos olhos azuis de Chico Buarque
- As cores das jujubas
- A obra inteira dos Beatles*
- Afinidade logo de cara
- Canções da infância
- Definitivamente, o “Yellow Submarine”
- Início do show da sua vida

Expressões de felicidade podem ser mais longas que a própria felicidade.

* Citar Beatles em uma lista é tão cretino... Parece um tanto simplório, mas espero que entendam que esta foi uma tentativa de incluí-los e registrá-los em tudo o que faço cada vez mais...